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A margem esquerda do Guadiana, integrada no período romano na Bética Ocidental e desde sempre sob a influência política de Sevilha, desempenhou ao longo da Idade Média e, depois, até à Guerra da Restauração, um papel de razoável importância na política externa de Portugal. A lenda da Moura Salúquia recorda-nos, no seu lirismo trágico, a época conturbada da Reconquista Cristã. Reza a lenda que Salúquia era a alcaidessa de Al-Manijah (Moura), filha de Abu-Assan e tinha sido prometida, em casamento, a Brafma, príncipe da cidade de Aroche (Espanha). Na véspera do casamento, Salúquia esperava ansiosa, no cimo de uma das torres do castelo, a chegada do noivo e da sua comitiva. Com igual ansiedade, Brafma cavalgava pelos campos em direcção a Al-Manijah, desconhecedor do plano dos cristãos que, sabendo do enlace, maquinaram uma emboscada para o interceptar. Os irmãos, Álvaro e Pedro Rodrigues, encabeçavam o grupo de cristãos que organizaram a emboscada. Depois de travada a batalha e mortos todos os muçulmanos, os cristãos vestiram os trajes deles e dirigiram-se para o castelo. Salúquia, ao vê-los, julgando tratar-se do seu noivo e dos seus acompanhantes, mandou baixou a ponte levadiça. Apanhando os muçulmanos desprevenidos, os cristãos invadiram o castelo e deram início a uma chacina que terminou com a vitória das hostes cristãs. Salúquia, ao aperceber-se da derrota, do triste destino que a esperava e desolada pela perda do seu amor, tomou as chaves do castelo nas suas mãos e precipitou-se da torre, que ainda hoje guarda o seu nome. Dai em diante, diz a lenda, que esta cidade passou a chamar-se Moura em homenagem à corajosa muçulmana. As formas de construção, o branco dos bairros antigos, a grandeza do seu majestoso Castelo, a riqueza arquitectónica, cultural e patrimonial que se alberga nas igrejas, nos conventos e museus, as festas populares, o cunho especifico na forma de trabalhar as matérias-primas são algumas das manifestações vivas de um longo e rico percurso histórico e de heranças culturais, com destaque para a romana e a árabe, as quais nos legaram um património que, ainda hoje, aflora na fala, no cante e em muitas outras. |




