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História


A margem esquerda do Guadiana, integrada no período romano na Bética Ocidental e desde sempre sob a influência política de Sevilha, desempenhou ao longo da Idade Média e, depois, até à Guerra da Restauração, um papel de razoável importância na política externa de Portugal.

Na zona de Santo Aleixo são detectáveis vestígios que comprovam uma ocupação pré-histórica, sobretudo na Herdade da Negrita, onde se encontra um importante conjunto megalítico. Esta fixação humana no Concelho, desde épocas tão recuadas, encontra justificativa na riqueza da zona em minério, na proximidade de importantes vias fluviais e na existência de importantes zonas de cultivo.

O Castelo de Moura assenta sobre um povoado da Idade do Ferro de comprovada importância política e económica, contemporâneo do Castro da Azougada, dos Ratinhos e do Álamo, onde em 1930 foi feito um importante achado de cinco peças em ouro, hoje depositado no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia.

A época da dominação romana (séc. III a.c.-V d.c.) teve uma grande importância em Moura: numerosas Villae (grandes explorações agrícolas) e castros romanizados estão assinalados em todo o Concelho. São abundantes os monumentos epigráficos e funerários - as aras e as cupae - alguns dos quais conservados no Museu Municipal.

Dos árabes (sécs. VIII-XIII) chegaram até nós um torreão de taipa da época almohade, no Castelo de Moura, peças de cerâmica e lápides epigrafadas.

O Castelo foi reconstruído no séc. XIV, numa época em que é incrementada a ocupação do espaço extra-muros, com a expansão da Vila pelos arrabaldes.

Em 1554 recebeu o título de "Notável Vila de Moura", constituindo um dos principais aglomerados populacionais do Sul do País, com cerca de 900 fogos e aproximadamente 3000 habitantes.

As Guerras da Restauração levaram a um reforço da estrutura defensiva, com a construção de uma nova cinta de muralhas. Essas fortificações sofreram uma ruína quase total em 1707, após a ocupação da Vila pelo Duque de Ossuna, General espanhol que as mandou arrasar.

Moura foi elevada à categoria de Cidade em 1988.


Lenda da Moura Salúquia

A lenda da Moura Salúquia recorda-nos, no seu lirismo trágico, a época conturbada da Reconquista Cristã. Reza a lenda que Salúquia era a alcaidessa de Al-Manijah (Moura), filha de Abu-Assan e tinha sido prometida, em casamento, a Brafma, príncipe da cidade de Aroche (Espanha). Na véspera do casamento, Salúquia esperava ansiosa, no cimo de uma das torres do  castelo, a chegada do  noivo e da sua comitiva.

Com igual ansiedade, Brafma cavalgava pelos campos em direcção a Al-Manijah, desconhecedor do plano dos cristãos que, sabendo do enlace, maquinaram uma emboscada para o interceptar. Os irmãos, Álvaro e Pedro Rodrigues, encabeçavam o grupo de cristãos que organizaram a emboscada. Depois de travada a batalha e mortos todos os muçulmanos, os cristãos vestiram os trajes deles e dirigiram-se para o castelo.

Salúquia, ao vê-los,  julgando tratar-se do seu noivo e dos seus acompanhantes, mandou baixou a ponte levadiça. Apanhando os muçulmanos desprevenidos, os cristãos invadiram o castelo e deram início a uma chacina que terminou com a vitória das hostes cristãs. Salúquia, ao aperceber-se da derrota, do triste destino que a esperava e desolada pela perda do seu amor, tomou as chaves do castelo nas suas mãos e precipitou-se da torre, que ainda hoje guarda o seu nome. Dai em diante, diz a lenda, que esta cidade  passou a chamar-se Moura em homenagem à corajosa muçulmana.


As Tradições

As formas de construção, o branco dos bairros antigos, a grandeza do seu majestoso Castelo, a riqueza arquitectónica, cultural e patrimonial que se alberga nas igrejas, nos conventos e museus, as festas populares, o cunho especifico na forma de trabalhar as matérias-primas são algumas das manifestações vivas de um longo e rico percurso histórico e de heranças culturais, com destaque para a romana e a árabe, as quais nos legaram um património que, ainda hoje, aflora na fala, no cante e em muitas outras.